Chapeuzinho Vermelho

Numa casa de madeira, ali perto do riacho, no meio da clareira, morava uma doce menina, sua mãe e seu pai lenhador. A menina era chamada de Chapeuzinho Vermelho, pois quase nunca largava a capa de capuz vermelho, feita pela querida vovó para a netinha preferida.

Até mesmo quando a capa estava muito suja, ela própria se ajoelhava à beira do riacho para lavá-la e depois a colocava novamente sobre as costas e a cabeça.

– Chapeuzinho! – ralhava a mãe, que olhava com carinho para a filha.

– Tá limpo! – respondia pingando.

Um dia a vovó adoeceu, e sua mãe preparou pão, bolo, colheu frutinhas dos arbustos, separou uma garrafa de manteiga e meteu tudo numa bonita cesta trançada. O pai lenhador pôs na cesta uma garrafa de vinho, para que a velha senhora tivesse uma doença mais feliz.

– Eu levo pra vovó, eu levo! – animou-se a menina.

– Não sei, filha, a estrada corta a floresta, pode ser perigoso. – disse a mãe. – Seu pai vai levar antes do trabalho.

– Vovó vai ficar mais feliz se eu for.

O casal sorriu e consentiu que a menina levasse a cesta.

Chapeuzinho saiu serelepe pela estrada, e enquanto cantarolava e cheirava as flores primaveris, enquanto ouvia os ecos dos machados nos troncos, não notou, nas trevas mais ao fundo, a criatura hedionda que acompanhava cada passo seu.

Ouviu, a menina, um psiu de entre as árvores.

: – Oi?

– Para onde vai tão animada, pequena princesa de capa vermelha? – perguntou o lobo, chegando perto da estrada.

Era grande, o lobo, e tinha longos pêlos bagunçados. Suas costas eram curvas, suas pernas eram finas, seus olhos amarelos eram imensos, suas garras eram curvas e sujas, e seu focinho longo exibia vários dentes tortos.

– Vou à casa da vovó, é claro. Onde mais uma garotinha como eu poderia ir?

– Está levando presentes para a vovó?

– Ela está doente, então levo boa comida para que ela fique melhor. Ela quem me fez essa capa.

– É muito bonita, é adorável. Diga-me, sua vovó mora longe daqui?

– Não muito, é a primeira casa da aldeia, uma casa bem bonitinha, de janelas redondas e chaminé baixinha.

– Ela é uma senhora de muita sorte por ter uma neta como você. Acredito que logo, logo ela não estará mais doente.

– Obrigada.

– Tenha um bom dia.

– Igualmente!

Enquanto o lobo se afastava, Chapeuzinho, encantada com a gentileza das criaturas, seguia cantarolando e colhendo flores para enfeitar a cesta da vovó. Mas o lobo não foi embora para o meio da mata. Não, ele pegou um atalho e entrou na casa da vovó muito antes de Chapeuzinho.

Quando a menina finalmente chegou à casa da querida velhinha, se anunciou animada e ouviu que a porta estava aberta.

Chapeuzinho entrou e notou logo enfeites caídos. Também havia uma mesinha caída. E livros caídos. E sangue no sofá!

: – Vovozinha? O que aconteceu? Por que está tudo tão bagunçado? – perguntou a menina, andando devagar na direção do quarto.

-Eu senti que você vinha me visitar, minha neta, e dancei de alegria.

– E por que tem sangue no sofá?

– Foi da tosse. – E tossiu latido.

– Por que está com essa voz?

– Estou rouca, Chapeuzinho.

Chapeuzinho Vermelho chegou ao quarto e viu o lobo disfarçado de vovó enfiado em várias cobertas.

: – Essa cestinha florida é para mim?

– Vóvó… – a menina começou a tremer e sentiu água nos olhinhos. – Vovó, por que seus olhos estão tão grandes?

– Para te ver melhor, minha netinha.

– E por que suas orelhas estão grandes?

– Para te ouvir melhor, bobinha.

– E sua boca, vovó… Por que sua boca está tão grande?

– Para devorar você, sua imbecil!

O lobo saltou da cama e as cobertas da vovó voaram pra todo lado. Chapeuzinho largou a cesta e correu para a sala, mas logo o lobo rasgou a capa vermelha e a pele das suas costas com aquelas terríveis garras curvas e sujas.

Só que, quando o monstro estava prestes a abocanhar a cabeça da garotinha, a porta foi escancarada pelo chute de um forte caçador que ouvira a algazarra quando passava ali perto, e ele não perdeu tempo: matou o lobo com um tiro na testa.

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