A Fábrica – Parte nove

Micaela apareceu com Thauana e outra amiga. Ramon, hipnotizado pela loira e também pela nova pessoa, as acompanhou, oculto, durante a travessia do pátio. O trio cortou caminho pelas árvores. Micaela usava camiseta preta justa, as alças brancas do sutiã envolviam seus ombros, calçava chinelos e vestia shorts negros tão curtos que deixavam aparecer o início de suas nádegas. Um cinto com fivela de caveira complementava a indumentária, e os fios louros caíam presos num magnífico e perfumado rabo de cavalo.

Sua amiga, Flávia, de castanhos cabelos médios, era mais baixa, magra, o tom de pele um tanto mais escuro. Apresentava-se de jeans, tênis e camisa branca. Acomodaram-se embaixo da grande planta de tortuosos galhos, e o discreto perseguidor vislumbrou generosos pedaços das coxas de sua roqueira preferida, além de partes de sua alva roupa íntima, pois ela havia sentado de joelhos erguidos, como era seu costume.

– Mica, se tá indecisa, não faz. – Sentenciou Thauana, vasculhando a mochila.

– Sei lá, Thau, eu quero participar, mas o Rico diz que tenho de ter total certeza, que o bagulho vai ser punk

– Nunca ouvi o Die Mordechai. – Falou Flávia, voz grave, rouca. – Como é? – Ramon julgou tê-la visto reparando nas pernas da amiga.

– É Baroness, com Emperor, com Cradle of Filth, com Edenbridge e Lyriel. – Tirou o smartphone do bolso – escuta aí – mexeu no aparelho e infernais ruídos indistinguíveis fizeram pássaros voar.

– Caramba, são melhores do que eu estava achando. – Flávia segurava o pulso de Micaela.

– Mas se não tem certeza, não participe. – Ecoou Thauana. Ramon viu que ela segurava alguma obra de Álvares de Azevedo, e um grosso volume de capa azulada do Poe repousava em cima da mochila.

– Tenho tempo ainda, vou pensar… eles ainda nem decidiram o lugar.

– Mas vão te fazer tirar a roupa, por acaso? – questionou Flávia, encarando-a de maneira penetrante.

– Acho que sim.

– Ah, é? – interessou-se.

– Uhum. Gente, o problema não é esse, e se ficar ruim, se eu estiver gorda?

– Amiga, teu corpo é perfeito, você sabe disso e usa isso. – Afirmou Flávia, com veemência.

– Sei não, Mica… – iniciou Thauana, folheando o livro. – Até onde o Ricardo quer chegar?

– Ele disse que quer quebrar tabus, botar pra lascar na hipocrisia… gosto disso. – Confessou.

– Eu também, mas da banda você só conhece bem o Ricardo… sei não, Mica… eu não faria.

– Não teria coragem? – provocou Flávia, os dentes retos num sorriso.

– Duvidaria das intenções. – Retrucou.

– As intenções são fodas, Thau, as melhores possíveis, tudo vai ser muito respeitoso, o Rico garantiu.

– Só digo que, se estiver indecisa, não faça.

– Tá indecisa? – perguntou Flávia, conservando o sorriso.

– Hoje, sim. Amanhã, quem sabe?

– Eles vão fazer show esse fim de semana, né?

– Vão, no bar do Lucão. Quer ir?

– Com você eu vou, sim.

– Cê vai, Thau?

– Não é o tipo de som que curto.

– Vai fazer o quê no fim de semana, então?

– Terminar de aprender Tocata e Fuga.

– Que é isso? – inquiriu Flávia.

– Uma música do Bach. – Micaela respondeu pela amiga.

– Caramba, você toca…?

– Órgão e teclado.

– Tem banda?

– Tive, mas agora toco sozinha, ou com a Mica.

– Você toca violino, né, Mica? – prosseguiu Flávia.

– Uhum. Gente, é tão bom tocar com a Thau!

Thauana deu um sorriso sem graça e se focou no livro.

– Calor, né? – perguntou Flávia.

– Hoje tá. – Admitiu Micaela.

– Vamos pro rio. – Levantou e tirou a camisa, apareceu o sutiã cinza com flores negras e o tronco magro. As costelas ficaram visíveis durante o momento de retirada da peça de roupa antes de voltarem à discrição.

– Eita, sua louca! – falou Micaela, rindo.

– Eu não vou, bom banho a quem vai. – Disse Thauana, encarando as páginas.

– Louca! – Mica riu mais ao receber o sutiã da amiga, jogado sobre ela. Os seios de Flávia eram pequenos montes de amplo vale, cumes amarronzados, picos eriçados. Ramon, escondido muito perto, também se eriçou.

– Não sei se vou. – Fez Micaela.

– E por que não?

– E se chegar alguém?

– Não vai chegar ninguém. – Desabotoou a calça e correu o zíper.

– Louca. – Repetiu Micaela, erguendo-se. Soltou o sutiã da outra e desafivelou o cinto. Ramon viu Thauana lançá-la um olhar de esguelha.

A tira que envolvia a cintura da adolescente tombou, ela tirava os shorts enquanto Flávia se livrava da seção inferior de seu conjunto. O fantasma, entretanto, não pôde de Micaela desviar os olhos. A peça negra deslizou por sua pele macia e ela curvou-se sobre si, dando a Ramon uma soberba visão de seu generoso bumbum redondo, liso, ligeiramente rosado, e da calcinha branca sedosa que segurava o vultoso e suculento pacote de maravilhas do qual ele já havia estado tão perto. Só depois reparou na nudez de Flávia: os ossos da pélvis destacavam-se sob a pele, o sexo tinha uma pronunciada fenda repleta de mistérios, e era raspado. Suas nádegas, pequenas mas arrebitadas, com um quê de torneadas, moviam-se orgulhosas.

Ela correu para a água e Micaela tirava o sutiã ao ser outra vez contemplada por Ramon. Os seios eram bastos, tinham róseas coroas, e eram delicados, meio indolentes, meio empinados, montanhas da mais pura beleza.

– Não vai tirar a calcinha? – questionou Flávia, já nadando.

– Eu não sou louca como você! – rebateu. – O observador acompanhou, mesmerizado, o balanço de suas ancas, e a viu entrar no rio, deliciado. Thauana compenetrara-se completamente na leitura.

As duas amigas riram, espirraram-se água, arrumaram os cabelos. O celular de Micaela começou a tocar e ela foi atendê-lo.

Ramon precisou se controlar, pois a calcinha de seda molhada aderira totalmente ao corpo de sua musa e tornara-se transparente, oferecendo-lhe ditosa visão da frente. Micaela era mais recheada, a fenda frontal mais reservada, e os pêlos, divisados sob o tecido encharcado, formavam uma superfície pontilhada convidativa. Gotas cobriam-lhe o colo, e seus vastos seios subiram quando ela desprendeu o cabelo. Ao se abaixar para catar o aparelho nos shorts, pôs no solo um joelho e o outro apontou, inclinado, para o alto.

O espírito da fábrica viu lampejos de seus mais íntimos recônditos.

– Alô? – havia esquecido de checar quem ligava.

– Ah, vou sim, sabe que vou! – sorriu, fazendo um belo desenho na boca rosa.

– Vai eu e Flávia, aquela minha amiga… a Thau não vai, como sempre. – Thauana confirmou a negação, acenando. – Tá. Beijo.

Levantou e se virou. Ramon viu mais pele dela do que jamais tinha visto até então.

De volta ao rio, as duas amigas retomaram as brincadeiras e foram além: aproximaram os rostos, se encararam e trocaram um beijo suave, só lábios, enquanto uma segurava carinhosamente a cabeça da outra. Em seguida, Flávia submergiu, Micaela gritou e afundou por um segundo; a outra surgiu, rodopiando um minúsculo pedaço de seda.

Micaela, corada até o pescoço, cabelos molhados, gritou, entre risos:

– Louca! Louca! Devolve minha calcinha! – Flávia atirou-a para longe.

– Vai pegar, bota essa bunda pra nadar!

– Louca! Doida!

Ramon fugiu de pronto; se ficasse mais, atacaria, e seriam três contra um. Um dia, pensou, um dia pegaria Micaela.

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