Anedota #13

Não é novidade que a situação das nossas escolas públicas é deplorável, guardadas as devidas exceções. Por ocasião do curso de Letras, tive de fazer estágio numa delas, e a que eu fui ainda era considerada tranqüila.

O que presenciei por lá me encheu de desesperança. Entendi prontamente a razão de tantas grades e câmeras. A imensa maioria dos alunos das séries mais avançadas só queria saber de badernar – e aqui uso o pleno sentido do verbo: havia lixeiras derrubadas e alunos enfiados em lixeiras; carteiras quebradas; gritos estridentes; desaforo na cara das professoras; rodinhas em plena aula para assistir youtube e outros sites menos contidos; tapas; ameaças; funk.

O que mais me revoltou, porém, foi o assédio que sofreu uma professora. A moça, bonita, cabelos pintados de ouro, tipo físico compacto, se esfalfava para explicar algo básico e era constantemente interrompida por um dos alunos, marmanjo sonso claramente desprovido do senso de limites.

Chegou o momento em que ela não mais suportou e o mandou para fora da sala, só continuaria a aula depois de sua saída.

O marginal barganhou, se fez de santo, mas ela não quis conversa. Antes de sair correndo, então, ele avançou subitamente nela e tascou-lhe um beijo nos lábios.

Eu não acreditei no que vi, meu sangue ferveu, e provavelmente só não fiz nada porque a professora, ao gritar para que ele jamais se atrevesse daquele jeito novamente, o fazia entre sorrisos, e retomou a lição ruborizada.

Fiquei realmente confuso e pus mais essa na conta do Brasil, ou da esquisitice humana. Estou confuso até agora.

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