Seis Pequenos Poemas

1
 

As pequenas flores amarelas
Atiram-se às pedras do chão
Para beijá-las, melodiosas
Rolam sobre as amadas, na praça.
Pétalas brandas amassadas.
Suave dança da primavera.

 

2
 

Ando pelo deserto.
Desfaço-me sobre as areias escaldantes,
Sou levado pelo vento morno
E caio nos grãos calcinados.
Afundo. Sufoco. Peço água a ninguém.
Desapareço, enterrado.
 

3

 
Aqui jaz a paz.
Aqui, encontro o sossego.
Aqui, sou alma solta,
Espírito do desapego.
Aqui, julgo todos e
Por todos sou julgado.

 

4

 
Lembro-me dos gritos dados
Às moradas vazias.
Eu era um garoto e sorria.
O eco respondia.
A minha infindável fantasia
Tratava logo de inventar fantasmagorias.

 
 
5
 

Subiu a escuridão…
Emanou dos poros imundos do mundo,
Enfeitiçou olhos argutos,
Enganou ouvidos astutos.
Foi longamente aspirada.
Deixou suas vítimas derrubadas.

  

6
 

As paredes racham.
Cairão os tetos sobre os desesperados,
Que fascinados
Com o poder da marreta e o brilho do fogo,
Queimam e quebram
A própria casa.

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