Mais seis pequenos poemas

8

Acorrentado pelo que não quero,
Subjugado pelo que não desejo,
Tento me rasgar em pássaros revoltos,
Mas sou elástico translúcido.
Eles ficam presos, assustados,
Num infindável e quebradiço bater de asas.

9

Nadei no lago do passado,
Naquelas nostálgicas águas borradas
Nas quais os cheiros são sentidos pelo coração
E as visões aparecem na alma.
Sorrio, entristecido,
Sabendo menos ter lembrado do que esquecido

15

Fui-me embora de mim.
Deixei aberta a porta
Pra quem quiser entrar.
Estou já longe.
Não sou eu quem falo.
Não sou eu quem ando.

18

Chuva fina, tímida…
Mal toca a face dos arrependidos…
Dos que olham para trás em nostalgia…
Dos que podiam ter sido felizes…
Chuvinha hesitante…
Como o coração de quem tem alegrias faltantes.

21

Um eu menor arranha a minha barriga.
Quer sair, quer abrir mortal ferida.
Deseja se refestelar em águas inocentes e intrigas.
Mas eu o agrilhoo a meu âmago devastado.
Envolvo, resoluto, seu pescoço torto
E rezo para que um dia ele seja morto.

22

Aprumo-me à proa do barco batido
Sem remo ou suprimento,
Quase desfalecido,
Sob a redoma branca e de brilho suave,
Sem me importar se serei esquecido;
Pois foi tudo bater de asa de ave.

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