Outros seis pequenos poemas

20

Estás demorando muito, Senhor.
Tudo vai ficando mais absurdo…
Vou me unir a eles um pouco,
Só por um tempo fazer-me surdo.
Sei que me perdoarás.
És infinitamente mais do que mereço.

25

Por que espero o vento?
Por que o vento não vem?
Por que eu quero ser tudo,
Se ser tudo é ser ninguém?
Por que eu sofro aqui,
Se sofrerei lá, além?

26

Não sei quem sou,
Ou quem quero ser.
Não sei aonde vou,
Nem sei saber.
Dissolvo-me novamente nas mesmas águas,
Já tão sujas, já tão rasas…

27

Flui da alma direto ao papel
As letras todas, enganchadas.
Azul ou preto se torna o meu sangue
Que mancha as folhas amassadas.
Mato-me quando escrevo;
Já quis parar, mas não consigo e não devo.

29

Já nem lembro se repito temas.
Se o fizer, culpa não tenho,
Pois a realidade, em grande empenho
Se repete qual roda de engenho,
E as mesmas peças são encenadas
Com outras personagens.

31

Fui ali ao bosque negro
E me sentei à beira do lago de sangue.
Não me mexi, não senti medo.
Observei as sombras por trás dos caules,
Magos mortos d’outros vales.
Estremeci.

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