Trechos de diários, notas, rascunhos e impressões #1

2016

Bragança Paulista.

Ontem mudei de casa pela quinta vez desde que cheguei em Bragança; foram cinco mudanças em quatro anos e meio, e se considerarmos a mudança principal – de Recife para cá – foram seis. Aprendi a ser nômade.

______________________________________________________

Já perdi a conta de quantos diários tentei manter na vida. O meu primeiro foi iniciado aos quatorze anos, e nele estavam escritos típicos assuntos de adolescentes, como a fascinação com a calcinha marcada nos shorts de educação física da garota que eu gostava e angústias gerais sobre questões de morte e pecado. Durou alguns esparsos meses. Com o passar dos anos, fiz inúmeras tentativas, físicas e digitais, e nenhuma vingou; todos acabaram deletados, rasgados, queimados; esquecidos.

Justamente este, que iniciei sem maiores pretensões de regularidade, meramente como alívio para a minha sempre presente necessidade de escrever, parece que vai dar em qualquer parte. Quem sabe?

_________________________________________________________

Desde muito cedo espiei a morte. Essas olhadelas sempre me renderam momentos ou de extremo desespero ou de intensa tranquilidade.

__________________________________________________________

Às vezes me sinto como aquele mendigo da crônica de João do Rio, para quem tudo é inútil. É impossível levar existência consciente pelo planeta – e especialmente pelo Brasil, imagino – sem considerar que, afinal, nada possui sentido. O maior motivo desse tipo de sentimento, para mim, é a insuperável estupidez humana.

___________________________________________________________

Estou naquele estado de espírito em que nada importa muito e a vida por si só é uma benção. Gostaria que durasse para sempre.

____________________________________________________________

Mudei-me para onde estou agora no dia 12 de Agosto, e no domingo 14 a Vivo, empresa que teoricamente me fornece internet e telefone, já havia transferido a minha linha. Ótimo.

Mas até agora estou sem conexão à internet. Alguém que resida em um país um pouquinho mais sério certamente já desacredita do absurdo, mas é verdade: Mudei-me para o bairro vizinho, numa região mais central da cidade, mais de vinte dias se passaram e ainda estou sem conexão. A empresa dá um prazo de trinta dias até o restabelecimento dos serviços, mas ninguém em sã consciência esperaria que o tempo fosse se cumprir de fato, pois é ridículo.

Trinta dias para a internet voltar após uma mudança simples. Bem-vindos ao Brasil.

_______________________________________________________________

Fernando Pessoa certamente não entrará para o meu panteão de poetas, mas não tive como lê-lo e sair ileso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s