Brevidades #3

“No Brasil, quando você, sem saber porcaria nenhuma, discorda de alguém que estudou o assunto por uma década, é ele que está errado. E você ainda tem coragem de declarar, magnanimamente: “discordo de Fulano algumas vezes, mas não podemos olhar só para os defeitos dele’.”, Rafael Falcón.

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“Kiss me once and I will surely melt and die, kiss me twice and I will never leave your side,…” Hammerfall, em “Dreams Come True”, do álbum Crimson Thunder. Ou seja, se o sujeito for beijado, morre transformado em gosma, e se a pessoa se dispuser a beijar a gosma, o infeliz a assombrará.

Letras não são o forte do Hammerfall.

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Lembrei da ocasião em que me despedi de um conhecido neo-ateu:

Eu: — Vá com Deus.
Ele: — Mas qual deus?
Eu: — Hades.

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Ainda não me acostumei a pensar ou dizer que estou escrevendo enquanto pratico japonês, a impressão de que estou desenhando não me abandona. Entendam o porquê: 木. Este é o Kanji que representa “árvore”; muitas árvores juntas formam uma floresta: 森. Isto aqui representa a chuva:雨. E por aí vai.

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Quando falam para abortistas que eles defendem o que defendem porque já nasceram, geralmente eles ficam fulos e agem como se tivessem acabado de ler ou ouvir o maior dos absurdos. O problema é que até hoje não vi mentira nenhuma na tal afirmação absurda. De qualquer modo, se estão tão insatisfeitos com a vida ao ponto de advogar que outros humanos não devem conhecê-la muito bem, poderiam dar exemplo e executar um auto-aborto retroativo.

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O brasileiro padrão não consegue sequer conceber a idéia de que há pessoas que realmente precisam do silêncio.

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O povo acha que pra sair opinando sobre qualquer assunto que não envolva cálculo basta saber falar.

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Diálogo típico de hoje em dia:
— O copo está quebrado.
— Não concordo.

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A impressão que tenho é que as pessoas têm cada vez mais dificuldades em admitir, mesmo para si mesmas, que desconhecem os assuntos sobre os quais opinam de modo tão ferrenho e/ou afetado.

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Para as pessoas que comparam o tabaco a drogas como maconha, cocaína e crack, tenho uma sincera pergunta:

Algum senhorzinho de sobretudo e chapéu já chegou no seu portão meio estranho, desconfiado, jogando lorota em cima de você a fim de arrumar dinheiro para encher o cachimbo de fumo?

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Toda vez que passeio pelo facebook, seja o nacional ou não, e vejo tanta gente postando, quatro a vinte vezes por dia, opiniões instantâneas iluminadíssimas sobre assuntos escabrosos, me sinto pequeno e sem nada a oferecer. Nunca vou ser tão sabido assim.

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