Brevidades #4

Uma vez, quando eu entregava panfletos, orientava colegas e parava potenciais clientes na rua para contar das maravilhas do novo empreendimento que a imobiliária na qual eu trabalhava estava vendendo, debaixo do sol lindo e inofensivo de Recife, fui abordado pelo dono de outra imobiliária. Ele disse que já observava meu trabalho naquele ponto havia dias e quis me oferecer a gerência de uma de suas equipes.

Oras, eu tinha, se muito, vinte e dois anos à época, e ciente das minhas limitações, declinei a oferta.

Anos depois, vejo claramente que há uma grande diferença entre reconhecer as próprias limitações e ser burro.

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Estava eu, inocente, procurando só de curiosidade passagens para Portugal, e encontrei um vôo de 15 mil reais por pessoa. Os passageiros devem viajar recebendo boquete, não é possível.

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Olhe, me dá uma agonia tão grande essa mania que o brasileiro tem de sempre esperar que os políticos resolvam as coisas pra ele. É como se o povo aqui fosse alérgico a responsabilidade, apertar uns botõezinhos a cada dois anos já é esforço demais. Lembro, por exemplo, de uma calçada que ficou tomada por mato durante vários meses aqui em Bragança; todos reclamaram da prefeitura, muito justo, mas não teve alma que arranjasse um tempinho pra tirar o mato dali.

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Puta que o pariu, acabei de ver alguém dizendo que “há braços”. O sujeito jurava estar mandando abraço. Senão, que diabos foi isso? Ele quis dizer que não há abraços sem braços? Que braços há, mas que o abraço não acontece porque ele não está a fim? Quis simplesmente constatar que braços existem e que nada podemos fazer a respeito disso?

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Meu filhinho parou no meio do corredor escuro e disse:
— Tá tudo bem.

Depois, olhou pra mim, apontou pro nada e soltou essa:
— Olha, morreu.

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O sujeito dos correios que chegou aqui em casa tem mais potência vocal do que toda a MPB.

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Estou revendo o filme do Hulk do MCU e me ocorreu que faz todo sentido o Banner morar no Brasil pra aprender a controlar a raiva.

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Álvida, a primeira pirata hostil que Luffy encontra em sua jornada, é o perfeito exemplo da pessoa louca que odeia a realidade, e serve também como demonstração de como gente assim influencia mentes mais fracas. A mulher é horrível e obesa, no entanto exige ser tratada por sua tripulação como beldade dos mares. Os homens, frouxos, mas não cegos, se curvam à loucura e obedecem a doida, permitindo, portanto, que a sandice domine suas vidas.

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