Encerramento de “O Casamento Suspeitoso”

Ariano Suassuna encerra “O Casamento Suspeitoso” de maneira bonita:

*

“GERALDO — Espectadores, o autor é um moralista incorrigível e gostaria de acentuar a moralidade de sua peça.

CANCÃO — Eu e Gaspar éramos amigos fiéis dele e isso não impediu que cobiçássemos seu dinheiro. E, ao primeiro apelo da carne, eu o traí com sua noiva. Isto é errado, foi o que aprendi.

LÚCIA — (Entrando com ROBERTO e SUSANA.) Eu aprendi que a luxúria é um caminho de perdição.

ROBERTO — Eu, que a cobiça é outro.

SUSANA — Eu, através do ridículo e do castigo, aprendi a respeitar a pureza da família.

FREI ROQUE — (Entrando com DONA GUIDA.) Para elas o dinheiro tinha um caráter de prêmio, servindo como uma espécie de absolvição sacrílega para os atos mais baixos.

NUNES — (Entrando.) Eu fiz um juiz desonesto, e juntei-me aos outros, nesse concerto de imoralidade. Tudo isso forma um conjunto com o autor.

DONA GUIDA — Com os atores.

GASPAR — E até com o respeitável público.

GERALDO — Por isso lanço um olhar melancólico a nosso conjunto e convido todos a um apelo. É uma invocação humilde e confiante, a única que pode brotar sem hipocrisia desse pobre rebanho que é o nosso. E assim, juntando-me aos outros atores e ao autor, peço que digam comigo:

TODOS — Que o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tenha misericórdia de todos nós.”

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