Brevidades #17

Um negócio que me chamou muito a atenção em “O Casamento Suspeitoso” foi a vileza de duas personagens, Lúcia e Roberto. Ambos traziam no peito desprezo pela Igreja Católica – se não pelo cristianismo no geral mesmo – e um senso de direção na vida tão podre que, para eles, desarranjar a vida de uma família e arruinar um homem decente não era nada, contanto que ganhassem uns trocados mais gordos.
Não equiparo a Susana com eles pois ela se mostrou menos ruim, e Cancão, por mais peste que fosse, tinha interesse real em ajudar o amigo, ainda que esse não fosse seu único interesse no caso todo. Gaspar é um coitado incapaz de fazer
frente a forças maiores que as suas próprias, e portanto o absolvo de julgamento mais duro.

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Acho que vou tirar um fim de semana desses pra me formar em Harvard também.

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Bocage foi se apaixonar logo por uma sujeita que tinha “Homem” no nome, por alguém que podia ser chamada assim: “Homem, venha cá”. Como se não bastasse, o primeiro nome da criatura era Gertrudes e ela o trocou pelo irmão. A infelicidade estava escrita nas estrelas para aquele ali.

*

Meu filho de 4 anos está memorizando “Mar Português”, do Pessoa. Hoje foi a primeira declamação dele, transcrita abaixo em toda sua infantil sabedoria:

“Ó mar salgado, teu sal
De Portugal!
Quantas mães choraram?
Quantos filhos rezaram?

Valeu a pena?
Não valeu, não.”

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