Brevidades #18

O mundo está cruel, mas hoje tive indícios de que a gentileza permanece uma encantadora aliada no cotidiano. Na ida ao mercado cruzei caminho com um homem meio suspeito, cara de poucos amigos, e ao invés de devolver o olhar duro e desafiador que ele me lançava, continuei relaxado, de espírito leve, e o encarei plácido enquanto caminhava em sua direção. Parecendo intrigado, ele me cumprimentou, e após meu cumprimento ele sorriu e até riu para meu filho, todo alegre. Parecia já outra pessoa quando seguiu andando com a alma menos carregada, com os passos menos pesados, com os membros mais soltos.

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Ontem comecei a jogar “Pokémon UltraSun” com meu filho mais velho e não pude deixar de reparar que as criaturas disponíveis nos matinhos mais próximos da casa do protagonista são insetos, aves e pequenos mamíferos. Oras, quem mora perto de uma praça arborizada, por exemplo, vai encontrar nela pássaros e diversos tipos de insetos. Quem veraneia perto de coqueirais também encontra aves, insetos e até pequenos mamíferos, se procurar bem. Há, nesse sentido, uma gostosa e educativa ligação do jogo com o nosso mundo real.

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Toda vez que me deparo com um jogo de Baseball tá lá algum sujeito mascando sei lá as unhas de quem e cuspindo. Como é que o povo lota estádio pra ver um bando de macho que mal sai do lugar mastigando e cuspindo? Isso me desanima até de sentar pra tentar entender o jogo.

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Pagar as contas cedo infunde na alma uma paz verdadeira, deixa no espírito uma sensação aconchegante de que tudo vai ficar bem.

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“Fogo Morto” é um filme morto. Este filme praticamente não tem uma linha narrativa, as atuações são péssimas — não culpo exclusivamente os atores pela baixa qualidade das atuações — e o ritmo é dos mais arrastados que já vi. Parece que que os principais responsáveis pelo filme estavam determinados a duas coisas: insultar a obra de José Lins do Rego e demonstrar como o cinema nacional pode ser mais mortalmente tedioso do que já pensamos que é. Em suma, é como se tivessem escolhido trechos a esmo do livro para filmá-los do modo mais porco possível sem dar qualquer explicação necessária aos espectadores da razão disso ou daquilo.

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