“Nise mimosa, como as Graças pura…”, soneto de Bocage

Nise mimosa, como as Graças pura,
Amável Nise como as graças bela,
Se inda em teus olhos me pertence aquela
Maviosa afeição, que fere e cura:

Um ai, penhor de cândida ternura,
Envia ao triste que esmorece, anela;
Que em ti cuidando solitário vela
No seio antigo de masmorra escura.

Manda-lhe um ai, meu bem; com ele afaga
Do ansioso amante o coração ferido,
A quem mordaz saudade assanha a chaga;

Das minhas aflições compadecido
Nas asas cor de neve Amor o traga;
Pago será com mil um só gemido.

*

Não recomendo alguns sonetos de Bocage a diabéticos.

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