Brevidades #19

Apareceu o Rodrigo Maia falando na TV aqui em casa e meu menino reagiu assim:

— Pai, não quero ver isso. É feio.

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Meu Deus, como o tal do Pannunzio é burro. Ideologia derrete a inteligência mesmo, não é possível que ele tenha sido assim a vida toda.

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O primeiro conto de Fialho D’Almeida em “O País das Uvas” me deixou uma péssima impressão. Ele está impregnado daquele pedantismo tolo e daquela superficialidade de compreensões que escora justamente esse tipo de pedantismo. O negócio é, na verdade, uma grande enrolação: o narrador, pressentindo a primavera, se dana a falar de plantas, a relacionar flores com almas idas e a lamentar o império da religião católica, muito escura e pouco prazerosa, não condizente com os tempos modernos — melhor seria o retorno do paganismo. O texto tem um ou outro momento bonito, é verdade, mas são flores mirradas num ramo torto e ressecado que ainda se julga fresco.

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Uma das coisas que mais me chama atenção nesse povo progressista (especialmente nos idiotas úteis mais favorecidos que se enxergam artistas visionários e intelectuais profundos) é sua absurda falta de criatividade, e nem falo isso por causa da aparente incapacidade que essa gente tem de criar coisas relevantes – está quase sempre sugando alguma franquia ou personagem já consolidadas perante o público –, antes fosse só isso; a questão é que a incompetência dessa turma atinge níveis ridículos.
A primeira temporada de Supergirl, por exemplo, além de carregar no exagero no que diz respeito à valorização da mulherada – um personagem importante chama Deus de “ela” e o Superman só aparece para ser inútil, entre várias outras coisas – e do uso sem graça de diversos clichês, entrou num ciclo de repetição cansativo. Não faltaram linhas do tipo: “Eu já fiz aquilo e mais aquilo, posso lidar com isso”; volta e meia estava Hank com cara de cão sem dono prestes a ser abatido; pelo menos quatro ou cinco vezes Kara teve um momento especialmente feliz interrompido subitamente por algo ruim, etc.
Não dá, esse povo está com a cabeça muito cheia de ideologia, não consegue montar uma história realmente boa e cativante. Pra mim, só duas coisas salvaram a primeira temporada da desgraça total: o ritmo, isto é, o andamento dos episódios, que apesar de previsível não é dos piores, e a Cat Grant de Calista Flockhart. James Olsen estava bem no começo, depois ficou meio apagado.

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Tenho uma sugestão para essa turma de imaginário curto e degenerado para quem amor só pode significar putaria e está revoltada com o novo slogan do turismo nacional. Resistir a isso é muito simples, basta, quando encontrar qualquer gringo, esse pessoal fazer o que já está acostumado a fazer, isto é, cagar e mijar em público – seja na rua, no restaurante, no metrô, na pet shop, onde quer que se dê o encontro –, urrar como babuíno possuído, com os olhos esbugalhados quase estourando, comer absorventes, arriar a calça, chegar no ouvido do visitante e, enquanto apalpa suas trincheiras traseiras, sussurrar “The asshole is beautiful”, etc.
Vocês também podem distribuir TCCs de Humanas nos desembarques dos portos e aeroportos.
Façam isso, tenho certeza de que a imensa maioria dos estrangeiros não vai mais nos visitar e nos amar.

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O hábito de chamar qualquer opinião discordante ou desconfortável de “mimimi” não contribui para o avanço no entendimento de nada. O que é um “mimimi” senão um tipo de chororô sem fundamento que deve ser mesmo ignorado e talvez zoado? Se uma pessoa reduz a isso qualquer coisa que ela ouça ou leia e não goste, acabou, é o fim da sua inteligência.

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Meu filho, jogando Mario:

— Matei uma tartaruga de sapato.

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