“Temo que a minha ausência e desventura…”, soneto de Bocage

Temo que a minha ausência e desventura
Vão na tua alma, docemente acesa,
Apoucando os excessos da firmeza,
Rebatendo os assaltos da ternura:

Temo que a tua singular candura
Leve o Tempo fuga nas asas presa,
Que é quase sempre o vício da beleza
Gênio mudável, condição perjura:

Temo; e se o fado mau, fado inimigo,
Confirmar impiamente este receio,
Espectro perseguidor, que estás comigo,

Com rosto, alguma vez de mágoa cheio,
Recorda-te de mim, dize contigo:
“Era fiel, amava-me, e deixei-o”.

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