Bocage e o Ciúme

Que idéia horrenda te possui, Elmano?
Que ardente frenesi, teu peito inflama?
A razão te ilumine, apaga a chama,
Reprime a raiva do ciúme insano.

Esperanças consome, ou vive ufano,
Ah! foge, ou cinge de vitória a rama;
Ama-te a bela Armia, ou não te ama?
Seus ais são da ternura, ou são do engano?

Se te ama, não consternem teus queixumes
Os olhos de que estás enfeitiçado,
Do puro céu de Amor benignos lumes:

Se outro na alma de Armia anda gravado,
Que fruto hás de colher dos vãos ciúmes?
Ser odioso, além de desgraçado.

*

Em sonhos na escaldada fantasia
Vi, que torvo dragão de olhos fogosos
Com afiados dentes sanguinosos
As tépidas entranhas me rompia.

Alva ninfa louçã, que parecia
A mãe dos Amorinhos melindrosos,
Raivosa contra mim c’os pés mimosos
Mais o drago faminto embravecia.

De mármore a meu pranto, a meu queixume,
Deste mal, deste horror sem dó, sem pena,
Via dos olhos meus sumir-se o lume.

Ah! Não foi ilusão tão triste cena:
O monstro devorante era Ciúme,
A cruel, que o pungia, era Filena.

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