Brevidades #31

Eu não sei como o pessoal que ouve funk não cansa daquela batidinha irritante (tum-tum, pá, tum-pá). Não sei mesmo, de coração. É sempre a mesma porcaria ao fundo praticamente o tempo todo.

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Sempre há um modo de criar tempo para construir um edifício interior, para alimentar a vida da alma e atiçar as chamas da compreensão e da criatividade. Não tem tempo para memorizar poemas? Pois bem, eu também achava que não tinha, até perceber que posso ir guardando os versos na cabeça devagarzinho enquanto lavo o quintal ou espero minha vez numa fila qualquer.
Hoje, por exemplo, a fila do açougue era atração turística, foco de risadinhas, comentários, e talvez até d’uma selfie ou outra. Oras, antes de sair de casa, já imaginando que a situação seria essa, rabisquei uns versos d’Os Lusíadas num papelzinho e me entreguei ao poema enquanto esperava. Já estou na sétima estrofe do primeiro canto.
Foi nesta toada que entranhei no coração alguns dísticos de Catão, versos de Fernando Pessoa, Bocage, Cecília, etc.
Estou aprendendo aos poucos que o tempo pode ser criado.

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