Outro trechinho do II Encontro de Escritores Brasileiros na Virgínia

Olavo: O indivíduo, por falta de um contato mais profundo com a sociedade, tende a se refugiar no intimismo, então surge a literatura do “Eu”. O sujeito fala do que aconteceu, de quando a mãe bateu nele, da infância pobre no Nordeste; e isto é uma desgraça. Uma outra desgraça que acontece é a pessoa da crônica política que começa a analisar as coisas e tem um faniquito de tentar fazer alguma coisa. Daí o nêgo se inscreve num movimento, se inscreve num partido, e vira o porta-voz daquela ideologia.
O que o libertarianismo estragou de cabeças humanas nos últimos anos é uma grandeza, porque o nêgo fica obrigado a defender sempre aquela posição fixa. Para um escritor, isso é uma desgraça. Não interessa se ele vai defender o Socialismo, o Liberalismo, o Conservadorismo Cristão; se você tem um programa pra defender, você não vai ser um escritor nunca mais na sua porca vida.

Rodrigo Gurgel: Exatamente.

Olavo: Você tem que estar livre inclusive para dizer coisas contraditórias, tem que escrever contra você mesmo, senão não funciona. É o negócio do Saul Bellow, ou você vai pelas ideologias, ou vai pelas impressões genuínas, e as impressões genuínas não vêm como um tratado de lógica, elas vêm cheias de contradição, e você tem de captar, aceitar e trabalhar essas contradições.

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