O Velório

Davi Hermano recebera a ligação da filha do defunto à madrugada do dia do velório. O assassino de seu pai, dissera, certamente estaria na despedida – “O mandante, quero dizer, o verdadeiro responsável”. Ela gostaria que o inspetor, conhecido por seu brilhante poder dedutivo e destemor, solucionasse o caso e prendesse o desgraçado.

O morto era importante, político ladrão, como a maioria, mas um ser humano. Davi vagueou pelo luxuoso salão lotado, pouco à vontade no terno preto, relembrando os dados passados sobre os suspeitos e analisando expressões, apanhando pêsames vazios no ar. Deu especial atenção ao Sr. Limeira, maior rival do falecido, e surpreendeu-se por ver o homem abatido. Checou também Carmem Vieira, amante, e viu nela indiferença maquiada.
A viúva só era capaz de contemplar o caixão fechado, sofria realmente.

Hermano aproximou-se da filha, que conversava com um amigo, e chamou-a num canto:

– Achou o mandante?
– Sim. É a senhorita.
– Como…
– Certezas e tranqüilidade demais. Venha.

Jorge H. Gris

*

Bragança Paulista, 2015

(Jorge H. Gris é pseudônimo de Yuri Mayal)

Imagem: Alexander Krivitskiy/Pexels

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