Brevidades #1

1

A linha de baixo em “High Hopes”, do Pink Floyd, é simples, tanto que, se o baixista não está totalmente imerso no espírito da música, ele corre o risco de se entediar aqui e ali; contudo o andamento do refrão é bonito, carregado de tristeza resignada; quando o escuto, tenho a impressão de estar às voltas com os passos melancólicos d’alguém que se afasta para sempre.

2

Não importa se estou sendo elevado às mais exuberantes alturas pela “Ode à Alegria” de Beethoven, ou se Sibelius me conduz por algum misterioso labirinto rico em segredos coligidos pelas vilas da vida, os anúncios do youtube enlameiam a jornada, profanam descaradamente as experiências mais poderosas.

3

Quem escreve literatura deve tomar muito cuidado com as inspirações que abriga no coração. Oras, quando usei Scruton como uma das inspirações para conto, construí uma cidade muito bonita, lar d’um povo que honra a própria história, enchi o local de vida e pus um dos meus heróis para resolver o problema terrível que assolava aquele povo.

Quando me inspirei em Nietzsche, rabisquei um continho mirrado sobre um véio que se mata num banquete diante da família depois de dizer, entre outras coisas, que havia comido uma puta ali mesmo, na mesa do almoço

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