Nota sobre “A Flor Vermelha”, de Gárchin

Quando li “A Flor Vermelha”, de Vsêvolod Gárchin, tive de me lamentar pelo suicídio precoce do sujeito; meu conhecimento sobre literatura russa é bastante superficial, mas intuo que ele teria sido um grande nome na galeria do país, seria um desses escritores únicos e inesquecíveis.

“A Flor Vermelha” conta a história de um louco que fica obcecado por umas papoulas rubras que encontra no jardim do hospício. Convencido de que as flores guardam dentro de si todo o mal do mundo e que são vermelhas porque carregam o sangue dos inocentes, o doido as arranca, uma a uma, crente que aquela era a sua missão na Terra.

É curioso notar como mesmo um doido tem senso de dever.

A descrição do cotidiano no sanatório é viva, Oleg de Almeida, o tradutor, conseguiu trazer ao português o poder evocativo de Gárchin, cheio de linguagem genérica, mas carregado de tintas fortes para ilustrar cômodos e acontecimentos, e portanto alcançando aquele algo especial que certamente teria sido desenvolvido de maneira prodigiosa tivesse o russo vivido mais uma década ou duas.

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Bragança Paulista, 2017

Imagem: Pixabay/Pexels

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