Nojo de pai e falta de empatia

Percebo que justamente as criaturas que mais falam em empatia são as menos empáticas; esse povo não consegue se colocar no lugar dos outros e entender que outras pessoas têm vida diferente da sua, e que isso é normal e saudável.

Ontem, por exemplo, vi uma sujeita dizendo que a romantização dos pais a enojava. Por que o tratamento carinhoso que tantos pais recebem espontaneamente dos filhos a enoja? Por que a valorização da figura paterna a enoja? Provavelmente porque a história dela com o próprio pai é triste, amarga, e ela alimentou o ressentimento consumindo diversos casos semelhantes ao seu, deixando de enxergar, portanto, a realidade inteira; ela deixou de enxergar que existem muitos pais bons, a possibilidade da existência de pais bons sumiu da cabeça dela, então ela se encerrou naquele mundo pequeno habitado por sombras raivosas e imagens horríveis, passou a ver o firmamento através daquele fragmento distorcido de realidade.

Que empatia uma pessoa dessas pode ter para com alguém diferente? Uma pessoa dessas vive sem perceber que emana subjetividade por todos os poros e que toma essa subjetividade acentuadíssima como verdade.

Enquanto ela permanecer assim, está fechada à compreensão alheia, está fechada para a empatia, para a caridade, e não tem como amar ao próximo.

*

Bragança Paulista, 2020

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