Genocídio Ressignificado

Do mesmo modo que na boca e nos dedos de muitos as palavras “Nazista” e “Fascista” deixaram de significar adeptos do Nazismo e do Fascismo e se converteram em rótulos pesados atirados a esmo que expressam, mais ou menos, “você é um filho de quenga que não merece existir” (chamam hoje de nazista até mesmo simpatizantes do povo judeu), tenho a impressão de que um fenômeno de ressignificação começa a ocorrer com o termo “Genocídio”.

Genocídio, na boca e nos dedos de muitos, não significa mais o extermínio em grande escala cometido intencionalmente por governantes contra povos indefesos, nem a matança generalizada das guerras, agora o vocábulo ilustra principalmente um grande número de mortes do mesmo tipo ocorridas num território a despeito das intenções verdadeiras ou das ações reais do governante máximo daquele território.

Ressignificar as palavras para ganhos políticos não altera a realidade de onde brotaram os significados originais. O que acontece, apenas, é que a realidade vai se tornando cada vez mais difícil de ser reconhecida e apreendida para quem embarca nesse vício grotesco.

Não é preciso gostar do presidente para ser honesto intelectualmente, dizer que Bolsonaro promove um genocídio é canalhice simples. Genocidas eram Hitler; Stálin; Mao; Pol Pot. Não é saudável que esta verdade desapareça da mente das pessoas, do contrário a confusão geral aumentará ainda mais.

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Bragança Paulista, 2020

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