Comentário sobre “A Morte de Ivan Ilitch”, de Tolstói

Quanto mais passam os anos, mais entendo que ler às pressas é danoso. Não adianta correr na leitura ou nos estudos e absorver as coisas de maneira confusa ou superficial. Tenho muitas obras a revisitar e cursos a refazer, tudo sem pressa, devo simplesmente confiar na Providência e extrair do mundo o que me parecer adequado. É um trabalho mais lento, sem as glórias imediatas do charlatanismo inconsciente — e muitas vezes bem intencionado –, que fere de morte tantas mentes boas.

Li “A Morte de Ivan Ilitch” (Tolstói) de maneira um pouco mais lenta do que a habitual e teci as seguintes observações:

Capítulo 1

Assim que ficam sabendo da morte do colega, seus antigos companheiros pensam, praticamente antes de mais nada, na movimentação de cargos que aconteceria por causa daquela morte, afinal Ivan Ilitch era membro da Suprema Corte, ele teria de ser substituído, e o lugar que o substituto deixaria vago também teria de ser preenchido, e por aí vai; portanto, não demora nada e já tem nêgo pensando em salário novo e em nepotismo. Ademais, os antigos companheiros do defunto sentiram-se como que superiores àquele funéreo destino, como se a morte não os fosse alcançar mais dia, menos dia. Não, viviam, este fim sombrio era meramente uma desgraça alheia, não o fadário natural a todos os viventes!

Os colegas saem do gabinete onde se encontravam conversando animados sobre amenidades, a presença da escureza da morte entre eles serviu, no fundo, para alegrar o momento, para alumiar aquele pedacinho do dia.

Não sei como está o original em Russo, mas na tradução ao Português de Vera Karam é dito que Piotr Ivanovich, um dos amigos mais próximos do falecido, “…abriu mão de sua sesta habitual, vestiu o casaco e saiu”. Oras, um escritor geralmente escolhe com cuidado a maioria das palavras e expressões que usa, então a expressão “abriu mão” indica que Piotr, mesmo diante da morte de um amigo de infância, considerava bastante importante a sua sesta, e não embarcar no sono foi um esforço necessário às exigências do momento, senão Tolstói provavelmente não teria sequer mencionado a soneca, ou teria usado um verbo como “ignorar”.

A impressão que eu tive no funeral do pobre coitado é que Piotr se movia como se estivesse sobre trilhos e agia de acordo com fórmulas comportamentais de manuais sociais.

Schwartz passou-me a impressão de um rapaz leviano, não alguém ruim — com potencial para a maldade, talvez, mas não ruim; em suma, alguém sem noção de gravidade, com o espaço entre as orelhas demasiadamente ventilado.

Achei interessante o destaque ao membro da igreja que “…lia em voz alta, com sinceridade e determinação e uma expressão que não admitia discordâncias.” Se fosse dito apenas que ele estava com uma expressão dura, que desencorajava apartes e não permitia discordâncias, o sujeito podia ser tomado simplesmente como um cabra inseguro, assustado pelo mistério da morte ali, tão perto dele, detentor d’um gênero de fé capenga, erigida mais pelo medo do que por qualquer outra coisa. Mas o cara lia com sinceridade e determinação, de alguma forma, ele sabia que lia a Verdade, ou ao menos acreditava de corpo e alma que andava ao lado da Verdade e não tinha paciência com aqueles que ainda não haviam feito descoberta tão preciosa.

Quando conduzido pela viúva a uma câmara mais reservada, Piotr suspira tristonho diante da possibilidade de perder a noite de jogo. A viúva, bichinha, pensa que o lamento foi filho do luto, dor de camarada. A morte do amigo não parece mesmo a Piotr nada mais que um imprevisto incômodo, uma chateação, uma mera inconveniência.

Morrer? Onde já se viu!?

O pufe no qual Piotr se senta talvez seja um dos personagens mais autênticos daquela casa desalegre. Até a viúva, no dia do funeral do marido, se vestiu de hipocrisia e arranjou espaço para se preocupar com mesquinharias financeiras, queria receber do Estado um tantinho mais do que já receberia como pensão!

Capítulo 2

Tolstói começou o capítulo tão bem — “A história da vida de Ivan Ilitch foi das mais simples, das mais comuns, e portanto das mais terríveis” — que me lembrei do início afiado e espirituoso de “Ana Karenina”: “Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”

O ressentimento mais ou menos justificado contra os funcionários públicos parece que era uma realidade também na Rússia d’uns anos atrás. Pudera, olhem os tipos de pessoas com imensos poderes sobre as outras! Gente fora da própria vocação, às vezes francamente incompetente, sem bússola moral firme, freqüentemente era encarregada dos assuntos mais importantes da vida dos outros!

Ivan Ilitch era escravo da sociedade e do conforto, o que o tornava uma pessoa verdadeiramente ôca e egoísta. À exceção das mortes dos filhos, eventos aos quais ele não pareceu dar tanta atenção, o sujeito teve uma vida fácil; em seus últimos dias ele provavelmente sofreu tudo o que não sofrera na vida.

Tolstói faz questão de assinalar que a coisa mais importante para Ilitch era o social. A sociedade, para ele, era Deus.

A deformação, claro, debutou em casa, a postura da família diante do irmão tido como fracassado nada tinha de cristã e já demonstrava aquela moralidade dúbia de quem, na realidade, não tem norte.

Ivan Ilitch era rígido com suas obrigações e considerava suas obrigações qualquer vontade de seus superiores. Atraía-se por pessoas em posições mais altas que a dele e “Adotava os modos e pontos de vista delas…” Sufocava dentro de si qualquer coisa que ameaçasse tirá-lo dos trilhos aceitos pela sociedade, isto é, sufocava dentro de si a própria chama da vida; passou a encarar seus atos vis do passado com alguma indiferença após descobrir que membros da alta sociedade praticavam tais atrocidades sem remorsos; comprava e comia nos lugares da moda.

Seus pecados da juventude eram confeccionados com elegância, e com aprovação da alta sociedade, portanto, eram incriticáveis.

O casamento com Praskovya não foi um “mau arranjo”, pois ela tinha renda, beleza e relações. Casar lhe traria satisfação pessoal, ademais, segundo as classes altas, era o correto a se fazer.

Seu modo de vida era respeitável e “…aprovado pela sociedade…”

Quando seu casamento começou a infringir as leis do “conforto” e da “adequação”, isto é, adequação social, Ivan buscou se proteger.

Para Ivan Ilitch, cumprir as obrigações virou sinônimo de “…levar a vida decente aprovada pela sociedade…”, e uma de suas preocupações durante as dificuldades conjugais era que as aparências “…exigidas pelo senso comum…” fossem mantidas. Ele achava que a vida tinha de correr “…agradável e dentro das conveniências sociais…”

Óbvio, se para ele a sociedade era Deus, é natural que ele próprio se achasse mais e mais uma espécie de deus benevolente a cada degrau galgado e se inebriasse com a sensação. Acabou que ele fez do gabinete seu próprio altar.

Capítulo 3

Quando Ivan Ilitch perde o protagonismo social e é ignorado pela sociedade, ou seja, quando é ignorado por seu deus, entra em depressão, e a situação só é revertida quando ele consegue, através d’um amigo, escalar mais degraus no funcionalismo público. De repente, todos o estão respeitando e considerando de novo e tudo está em ordem.

Tolstói clarifica que Ivan Ilitch é assaltado por delírios de grandeza, o autor faz isso de maneira razoavelmente sutil na ocasião em que Ilitch conta vantagens à esposa após sua promoção (“Praskovya a tudo ouvia, fingindo acreditar, não contradizendo-o em nada…”) e de modo direto, quando, a respeito da arrumação da casa nova do protagonista, revela que Ivan Ilitch, ao contrário do que cria, simplesmente fazia o que todas as outras pessoas de sua classe faziam, com o detalhe de que a casa dele conseguira ficar ainda mais sem graça, afinal “…não causava impressão alguma…”.

A sua sala de visitas “…parecia-se com todas as outras”, suas festinhas “…nada tinham de originais”

A arrumação da casa dele, atividade para a qual se entregou de coração, expressava o vazio de sua alma.

Para demonstrar d’um jeito assertivo que Ilitch era até paranóico com controle, isto é, era o que os anglófonos chamam de “control freak”, Tolstói enfia, justamente num parágrafo longo que tratava da rotina e dos procedimentos cotidianos de Ivan Ilitch, a frase: “Estava tudo sob controle”. Ou seja, aqui vai um resumo do fluxo de vida do sujeito: estava tudo sob controle.

Ivan Ilitch, se pudesse, teria controle até sobre a soma que ganhava num jogo de cartas!

Capítulo 4

O quarto capítulo explora um pouco mais de Praskovya, de maneira que minhas intuições a respeito da mulher foram confirmadas. Ela é uma criatura pequena, exagerada e egoísta, focada apenas em suas misérias e ninharias, que se reconhece sem poderes efetivos na vida e não acalenta nenhum sonho minimamente elevado. Até a morte do marido ela deseja.

Ivan Ilitch fica doente, e novamente, quando percebe que não é o centro do mundo, ou quando vê que seu deus, a sociedade, o ignora, ele se entristece sobremaneira. Tolstói destaca isso tanto ao fim da consulta de Ivan com o primeiro médico quanto no trecho: “As pessoas em volta dele não entendiam, recusavam-se a entender e acreditavam que tudo no mundo continuava igual. Essa idéia atormentava-o mais do que qualquer outra coisa”

Ademais, suspeito que Ilitch talvez não tivesse morrido da doença se tivesse sido menos paranóico. Num curto espaço de tempo, ele foi em vários médicos e experimentou diversos tratamentos, tudo isso enquanto continuava se aborrecendo com as mínimas trivialidades e enquanto aumentava dentro da própria cabeça o tamanho e a gravidade de sua doença. Suspeito que a doença, aliás, era úlcera.

Outras coisas que me chamaram atenção foram as acentuadas diferenças de opiniões entre os médicos e o jeito obscuro e afetado que eles se comunicavam com o paciente, quase como se, no fundo, não soubessem direito o que faziam.

Seja como for, noto que a doença proporcionou a Ivan Ilitch algo inédito: era a primeira vez na vida que ele dispensava preciosa atenção para o que acontecia dentro de si.

Capítulo 5

Ivan Ilitch se torna mais consciente de que tem uma alma. Primeiro, após conferir sua aparência doente, sentiu a alma “…negra como a noite.” Depois, quando a esposa se inclinou para beijá-lo à testa, o ódio que ele sentiu veio “…do fundo de sua alma…”

Rabugice embota a sabedoria. Ilitch se ressente da festa dada por sua família e dos convidados, pensa que o povo lá não se importa com sua condição, mas esquece que, momentos antes, ele mesmo havia tomado parte nas conversas e gracejos e seu humor era o melhor em muito tempo, portanto os convidados, mesmo depois que o anfitrião se recolheu, pensavam que tudo ia bem, oras!

Ivan, enfurnado em seu quartinho melancólico, se alimenta de terrores, convida ainda mais negridão à sua alma e, agindo assim, maltrata seu corpo já combalido. Em grande medida, ele é quem está se matando.

Capítulo 6

Tolstói usou parte do sexto capítulo para expor a imaturidade de Ivan. Diante do destino mais certo de todos, o coitado quedou pasmo e lembrou principalmente da vida na infância; é quase como se, no fundo, Ivan Ilitch ainda fosse uma criança, o que faz sentido, pois ao que parece, ele teve a vida cheia de mimos e facilidades e nunca precisou lutar de verdade por nada. Na única vez que se dispôs a brigar por algo, encontrou um amigo no início da viagem e tudo se resolveu instantaneamente, sem maiores obstáculos. Ademais, a mente dele ainda era infantil, porque incapaz de transpor uma abstração válida — e francamente muito óbvia — à realidade. O Caio abstrato era uma representação de todo o gênero humano, e se, no silogismo, Caio morre, é claro que o mesmo se passará com todas as pessoas. Apenas uma mente que não amadureceu ignora algo tão básico.

Seja como for, toda criança é uma criatura habitada. Crianças têm sonhos, crianças se maravilham diante das coisas mais inesperadas e corriqueiras, crianças costumam falar o que pensam; crianças, em geral, respiram liberdade e estão muito mais abertas ao amor de Deus e às aventuras da vida. Além disso, crianças são genuinamente queridas. Não surpreende que Ivan Ilitch tenha começado a jogar sua memória especialmente na infância. Quando criança, ele era alguém.

Ilitch passa a enxergar a dor como uma espécie de entidade missivista da Morte. Tolstói usa o pronome “ela” diversas vezes, provavelmente, para que a perspectiva do protagonista fique clara a quem lê.

Capítulo 7

Gerassim era um homem do campo, simples, acostumado a lidar com a realidade nua, sem frescura. Não tinha tempo para poses e afetações, precisava cortar lenha senão a comida do dia não saía. É justamente a este homem simples e verdadeiro que Ivan Ilitch se apega quando às portas da morte; todas as suas outras relações, falsas e calculistas como ele próprio, devotas do deus Sociedade, como ele próprio, o envenenam, e ele começa a perceber isso. O sarcástico da situação é que, em dias melhores, Ilitch jamais teria se apegado tanto a uma criatura daquelas; não seria conveniente, para um homem de sua posição, se apegar a uma criatura daquelas.

Tolstói ressalta novamente a falta de maturidade de Ivan Ilitch, pois após um grande estágio de sofrimento, ele: ‘…desejava, mais do que outra coisa…alguém que sentisse pena dele como se tem pena de uma criança doente. Ansiava ser cuidado e beijado como as crianças são cuidadas e confortadas quando doentes.”

Capítulo 8

A casa de Ivan Ilitch já carrega o ar preenchido do negro miasma da enfermidade. E ele continua enfurnado nela! Dentre tantos cuidados, nenhuma sugestão de passeios, de banhos de sol! Nenhuma sugestão capaz de esbanjar um mínimo de vida, tudo apontava para a tristeza e para a mera subsistência; fica difícil não morrer assim.

Tolstói dá ainda outra dica de que o agravo do padecimento de seu protagonista brota antes da mente e do espírito que do corpo: “Era sempre o mesmo círculo: por um momento um breve toque de esperança e no momento seguinte um violento mar de desespero e sempre a dor, sempre sofrimento e dor novamente, incessantemente.” O problema existia, lógico, e estava sendo muito mal tratado, mas as fantasmagorias trevosas acalentadas com tanto fervor por aquele homem cada vez mais moribundo certamente contribuíram para seu triste desfecho.

Tanto o médico quanto Praskovya agiam com Ivan Ilitch de determinada maneira, uma maneira fixa que desconsiderava a realidade. Assim como Piotr Ivanovich se movia sobre trilhos e proferia fórmulas imutáveis, assim agiam Praskovya e o médico.

A maioria dos personagens das relações mais imediatas de Ivan Ilitch são mais ou menos como ele, ou seja, escravos do que manda a sociedade, e quase sempre vemos todos estes personagens sob a ótica hostil do podre coitado enfermo; todavia, existe humanidade neles; escondida, adormecida, mas existe. Praskovya, mesmo sendo a criatura egoísta que é, mesmo já tendo desejado a morte do marido, chora ao ver o lampejo de esperança naqueles olhos condenados à escuridão, e eu acredito que o choro tenha sido sincero.

Capítulo 9

Ivan Ilitch, finalmente, se dirige a Deus e encontra sua própria alma. No entanto, ele ainda hesita bastante em admitir que talvez não tenha vivido do melhor modo possível. Quando lembra de seus melhores momentos, percebe que a maioria deles ficou na infância, e embora seja extraordinariamente imaturo, Ivan não é mais criança. Ou pior, é uma espécie de criança sem infância.

Um trecho que me chamou especial atenção foi o seguinte pensamento do próprio Ivan Ilitch a respeito da vida que havia levado: “Como se eu estivesse caindo montanha abaixo, imaginando estar subindo. E era assim mesmo. E na opinião dos outros eu estava o tempo todo subindo e todo o tempo minha vida deslizava sob meus pés. E agora acabou tudo e é hora de morrer.”

Oras, se analisarmos a vida de Ivan Ilitch do ponto de vista unicamente material, realmente, ele subiu; mas subiu às custas de coisas importantíssimas; para subir, abdicou da fé, da vida interior, do amor ao conhecimento, do amor ao próximo e corrompeu a formação de sua própria personalidade. A subida, portanto, foi apenas uma ilusão social; seu deus Sociedade era feito de fumaça. Ivan Ilitch não subiu, rolou montanha abaixo e começou a dissolver o próprio solo onde pisava, pois quem vive exclusivamente para a aprovação social e para o dinheiro, não vive, só existe, vira um monstrengo acólito do vazio que erra sem sentido pelo mundo.

Capítulo 10

Ivan Ilitch, novamente, retorna à infância e ainda custa a aventar seriamente a possibilidade de que não levou a vida do melhor modo possível. Para ele, viver bem se resumia a meras superficialidades, como cumprir leis. Pouco adianta cumprir leis e fazer escarcéu por causa de ninharias domésticas. Pouco adianta cumprir leis e banir da própria vida pessoas menos favorecidas, tidas como inconvenientes.

Capítulo 11

Aquele homem devia ter saído de casa, devia ter se hospedado longe da esposa; Após ter se confessado a um padre, Ivan sentiu-se melhor, Tolstói realmente passa ao leitor que o sujeito havia melhorado. Depois de tanto sofrimento, até a esperança voltou a brilhar naquela alma injucunda. Bastou ver a mulher, que o tratava mais ou menos feito um cadáver animado meio inconveniente, que ele caiu no abismo novamente.

Pelo menos ele entendeu, afinal, que não viveu direito, que desperdiçou o viço dado por Deus de tão boa vontade.

Capítulo 12

Ivan Ilitch encontrou a paz justamente quando amou verdadeiramente aos seus próximos. Ele encontrou a paz e a luz em meio aos medonhos estertores que o levaram deste mundo. Tolstói, de maneira brilhante, quase como se já tivesse morrido pra ver como é, descreve os últimos momentos do sujeito de dois pontos de vista distintos, ou seja, da perspectiva do próprio Ivan Ilitch e da perspectiva de quem acompanhou seu fim.

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Bragança Paulista, 2020

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