Brevidades #32

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Luciano Huck não satisfaz nem a própria mulher e quer satisfazer um país inteiro.

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Ontem fui numa loja com a intenção de caçar um substituto para nosso moribundo ventilador, e assim que vi a loja me assustei: fitas negras e amarelas cruzadas em X pendiam de todas os acessos laterais, apenas uma sessão, um pouco pra trás da esquina, estava liberada para entrada. “Meu Deus…”, pensei, “… isso aqui parece uma cena de crime, não de crime qualquer, mas de matança avassaladora.” Dentro do estabelecimento, corredores mais ou menos imaginários eram formados com o mesmo tipo de fita. Tudo aquilo me remeteu, d’uma só vez, a qualquer sorte de banditismo bárbaro e a um severo adestramento social.

A impressão que me ficou é que, diante de nossos olhos turvos e nossas bocas mudas, aconteceu exatamente isso: um crime bárbaro, sem coração, seguido d’um adestramento social opressor.

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Um candidato a vereador aqui de Bragança Paulista foi preso por tráfico de drogas. O sujeito era conhecido como “Clayton Fumaça”, e usava esse nome na eleição. Tem um povo que não sabe ser discreto, que dá bandeira mesmo.

Se alguém se chama de fumaça, provavelmente essa pessoa está metida com drogas ou com incêndios… ou com ambas as desgraças.

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A trilogia dos mercenários pode não ser a coisa mais espetacular do mundo (o primeiro filme é especialmente cansativo), mas há elementos de valor por lá.

No primeiro filme, após ouvir o relato de um amigo que, saído d’um banho de sangue, deixara de salvar uma suicida, Barney Ross (Stallone) se recusa a perder a alma e parte pra salvar a filha d’um ditador, mulher que ele havia abandonado aos cruéis caprichos do destino; no segundo filme, Vilain, o antagonista, diz que adora símbolos e carrega no pescoço a tatuagem de um bode. Segundo ele, o bode é o bicho de estimação do tinhoso, portanto, é razoável inferir que Vilain é, ele próprio, um dos tantos bichos de estimação de Satanás espalhados pelo mundo apenas para destroçar vidas, para fazer o mal. O terceiro filme dá um soco na concepção de que jovens são necessariamente melhores do que velhos.

Enfim, o importante é que me sinto um pouco mais macho.

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