Brevidades #35

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Abro o Amazon Prime com meu menino de 6 anos e me aparece na cara o Borat seminu. Fui tapar os olhos do meu filho numa urgência tão visceral que acabei foi dando-lhe um tapa na fuça.

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“E segundo estudo recente no assunto, nunca Paris foi mais do que está sendo agora uma cidade de gente seduzida pelo sobrenatural: pela cartomancia, pela astrologia, pelo espiritismo. À medida que parte do catolicismo francês, cedendo a hábeis infiltrações comunistas, vem se tornando ‘racionalista’ e ‘lógica’, apenas ‘social’ ou somente ‘humanitária’, e requintando-se no desprezo a crenças e a ritos considerados folclóricos por padres já quase ex-padres, vem aumentando em ex-católicos franceses o gosto pelas especulações místicas naquelas outras áreas. O mesmo está se verificando em cidades brasileiras como o Recife, com seus padres e até bispos já quase ex-padres e ex-bispos, pelo empenho que põem em sobrepor suas atividades de líderes sociais e até políticos às suas responsabilidades de ‘pastores de almas’: de ‘pastores de almas’ que atendessem às solicitações místicas, religiosas, espirituais da gente que, abandonada por eles nessa área, procura, cada dia mais, refúgio ou consolo nas seitas afro-brasileiras, no espiritismo, na cartomancia.”

Gilberto Freyre, no prefácio à segunda edição de “Assombrações do Recife Velho”, 1970.

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Desesperado com a iminente morte de seu primogênito, John Winchester faz um pacto com o mesmo capiroto que matou sua esposa a fim de salvar a vida do filho. A burrada foi cometida logo no primeiro episódio da segunda temporada de “Supernatural”, e ilustra que não é sábio agir por desespero, ou seja, não é sábio agir movido pela falta completa de esperança. Ao invés de se prostrar diante da cama do filho ou num genuflexório de igreja e se entregar a novenas e orações, John preferiu fazer acordo com um dos cães do Inferno.

Nunca devemos nos comprometer com demônios.

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Carol, do nada:

— Próximo Halloween vou pintar uma caveira na Lua.

Lua é nossa vira-lata, uma criatura alucinada que se compraz em carreiras sem sentido, ruídos expressivos e pulos dignos de canguru em chão de brasa.

Respondi:

— Ótimo, vou soltá-la no cemitério.

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