Brevidades #37

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Negocinho que achei no meu diário de 2017:

“O mal da super especialização acadêmica é que ela acaba alienando os ‘estudiosos’ do mundo real, de modo que cada qual fica plenamente convencido de que a sua área é a detentora de todas as virtudes do conhecimento humano e possuidora das chaves de qualquer problema, Pedra de Roseta para todas as situações sociais, motor principal do progresso. Daí surgem os cientificistas tapados incapazes de enxergar além de átomos ou moléculas, os economistas arrogantes que juram que tudo deve ser subjugado pelo Mercado ou pelo Estado, os juristas intocáveis, senhores dos mundos abstratos; enfim, toda a massa de manobra às pessoas que realmente entendem o quadro inteiro, pessoas nem sempre bem intencionadas.

Os acadêmicos de nosso tempo, me parece, perderam a noção elementar de que, para se compreender uma pintura, não se pode acreditar que só existe ou só importa uma parte dela.

Tenho a impressão de que eles reduzem mundo e sociedade ao tamanho de sua ignorância.”

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Cristian Derosa, se não me engano, falou uma dia desses algo na linha de que, para conseguir notícias, bastava checar as redes sociais, e é isso mesmo. Por exemplo, agora há pouco vi um sujeito comentando, em resposta a uma postagem do Leandro Ruschel sobre a hipocrisia dos governantes totalitários esquerdistas, que no restaurante onde ele trabalha tanto Doria quanto Bruno Covas já fizeram reuniões cheias de gente, sem a menor preocupação com o vírus chinês.

Oras, um jornalista raiz entraria em contato com esse cidadão e pediria para que, no próximo evento abastecido pela hipocrisia, fotos fossem tiradas discretamente. Um jornalista raiz até ofereceria uma caneta espiã ao sujeito, ou algum artefato ainda mais reservado.

Uma vez feitas as imagens, pronto, sai a notícia capaz de deixar qualquer poderoso totalitário numa saia justa pra lá de desconfortável.

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O que os órgãos do Ministério Mundial da Verdade não reconhecem, não existe, pouco importa se há dezenas de fotos ou vídeos berrando o contrário, pouco importa a realidade. Se o Ministério Mundial da Verdade não quer que exista, não existe.

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Não consigo confiar em quem quase nunca responde perguntas de modo direto.

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