Brevidades #53

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O STF que me perdoe, mas eu só tenho um Deus e Ele não é nenhum dos ministros.

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Quem inventou o negócio de que homem não chora certamente não foi Homero. Na Ilíada, Aquiles, após ter a escrava roubada por Agamênon, chora e recorre à mamãe. Na Odisséia, Telêmaco, Menelau e Psístratos choram diante das terríveis reminiscências da Guerra de Tróia, e também é dito que o próprio Agamênon chorou quando retornou à terra natal. Ulisses, cativo de Calipso, se acaba em lágrimas por causa de sua situação. Todos estes são homens valorosos, estufados d’uma bravura inexistente em nossos tempos, e ainda assim cedem ao pranto copioso.

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Scruton era mesmo um sujeito fascinante. Em “O Coração da Música”, artigo que não é longo, ele primeiro abre uma janela para um mundo que, apesar de não tão distante, parece antigo e esquecido, o mundo do contato social genuíno, da música viva e da sociedade pulsante ancorada em valores comuns. Depois ele aventa a idéia interessante de que a música muito contribuiu à própria estrutura do pensamento ocidental, teria sido graças a ela que, no Ocidente, várias vozes diferentes conviveram mais ou menos em harmonia. Em seguida, ele cutuca a ferida sem cerimônias, lembrando que há gostos musicais mais apurados do que outros, enfim, que existe uma diferença de qualidade entre as diversas composições que soam pela Terra; finalmente, ele afirma que, para existir verdadeiramente, para que seu coração bata, a música precisa d’um espaço físico onde possa se expandir e envolver os ouvintes.

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